Algarve de Fio a Pavio

Jornais, revistas, rádios, televisão, agências... Aos poucos, o que se vai lendo, ouvindo e vendo no Algarve

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    Sexta-feira, Março 12, 2004
     
    A administração dos CTT em vez de rumar para uma empresa dinâmica, eficaz e de qualidade quer afinal encostar-se à velha e abolorecida tradição burocrática que estigmatiza ¿ sem culpa própria, diga-se ¿ o corte mais baixo dos poder público de matiz político e que passa precisamente pelas Juntas de Freguesia. Possivelmente esse impulso da administração dos CTT decorre da ânsia de privatizar tudo e o mais possível a qualquer preço, vislumbrando-se também nesta área algum interesse espanhol em controlar o sector postal português. Assim, por critério evidentemente economicista, empurram para cima das Juntas não tanto o mal mas a caramunha. Algumas dessas Juntas, na ilusão de arrecadarem uns tostões ¿ o que só acontecerá num médio ou mesmo curto prazo ¿ morderam o engodo e celebraram os celebras protocolos. Nada mais errado, para as Juntas e para os CTT.

    A população de Castro Marim faz bem em protestar contra o fecho da sai Estação de Correios e poderia muito bem convidar os CTT a fazerem prova das suas boas intenções. Como? Nada menos nada mais do que sugerirem à administração dos CTT que tentem encerrar os Correios de Boliqueime a troco de um protocolo com a Junta dessa famosa freguesia cujo presidente foi até há pouco tempo chefe da Estação mas afastado num processo verdadeiramente desumano.

     
    Retomamos. A todos os leitores... Saudações Algarvias!

    Quarta-feira, Setembro 10, 2003
     
    1 - Meter os pés pelas mãos. Em crónica publicada no semanário «Postal do Algarve», de 4 de Setembro, José Apolinário espalha-se ao comprido. O deputado mete os pés pelas mãos a propósito da sede em Loulé do Tribunal Administrativo e Fiscal do Algarve. Envolvendo-se sem glória numa guerra local suja, o deputado insinua haver «uma política de bota abaixo contra o concelho de Olhão», deixa a afirmação no vago e, logo de seguida, patenteia mais uma prova da fraca preparação intelectual dos políticos de proa do Algarve. Leiam a transcrição exacta de raciocínio, palavras e pontuação: «Noutros domínios do direito justificar-se-ia a escolha de Loulé: no processo administrativo dada a preponderância do funcionalismo público no contencioso administrativo as duas cidades partiam em posições próximas e a Câmara de Olhão respondeu afirmativamente a todos os pedidos do Ministério da Justiça, daí a estupefacção por esta decisão».

    Mas a que «domínios do direito» Apolinário se refere como justificando-se em Loulé? O direito do mar? E que é isso das «posições próximas» e da «estupefacção»? E essa de haver «preponderância do funcionalismo público no contencioso administrativo», o que é isso?

    2 - Em entrevista ao «Algarve Região», de 5 de Setembro, José Apolinário afinal explica a sua «ignorância» em matéria de tribunais e direito administrativo, afirmando-se disposto a ser candidato nas próximas eleições autárquicas em Olhão ou em Faro. Exclui portanto Loulé...

    3 - Jacinto Duarte é um cronista omnipresente. Assina crónicas em vários jornais. Duas dessas crónicas, esta semana, provam como os cronistas escrevem sem o receio de serem escrutinados. É assim que no já referido «Postal do Algarve», Jacinto Duarte aconselha paternalmente: «Quarteira para ter fundamentos para aspirar a concelho tem que ter as infra-estruturas fundamentais e especialmente os serviços de que os seus habitantes mais carecem, como um notário e um conservador do Registo Civil e outro do Predial e Comercial». E depois: «Cabe à Junta de Freguesia e à AQUC ¿ Associação Quarteira a Concelho, lutar pela satisfação destas necessidades básicas». Mas Jacinto Duarte não fica por aqui.

    4 - Noutra crónica, em «A Voz de Loulé», de 1 de Setembro, Jacinto Duarte faz o maior dos elogios à escolha de Loulé para albergar o Tribunal Administrativo e Fiscal, sem economia de palavras e sem receio de ser lido em Quarteira: que Loulé é «a sede do mais turístico concelho em Portugal» argumentando para tanto com «a luxuosa Quinta do Lago, e os razoáveis empreendimentos do vale do Lobo e Vilamoura, além da muito povoada e popular praia de Quarteira», que é «um concelho que preenche todo o Algarve desde o mar ao Alentejo» e que por isso «deve ser um dia, quando se criarem as regiões administrativas, a nova capital do Algarve, pois Faro não tem condições para tal, por estar encurralada e raquítica»¿

    5 - É isto o que o meu povo lê e do que José Apolinário e Jacinto Duarte gostam.


    Sexta-feira, Setembro 05, 2003
     
    Os Correios. Vale a pena ler o Jornal do Fundão desta semana. E depis comparar com as publicações algarvias. Pelo menos as que me chegaram às mãos são omissas na questão dos correios. Quem está instalado nas cidades e vilas não sente os efeitos desse protocolo já assinado entre Juntas e Correios. «É mais uma machadada no mundo rural, gradualmente esvaziado de serviços. Os Correios de Portugal apostam na desertificação», ecreve o Jornal do Fundão e é verdade. Além de que (pouca gente ainda se interrogou) com a deslocação dos serviços postais para as juntas, as campanhas eleitorais vão mudar de figura: o actual presidente de junta passa a ser chefe do correio e como as campanhas, em grande parte, são por via postal, tirem a conclusão e interpretem porque é que as juntas assinaram o protocolo. Não foi de certeza pela ninharia de 450 euros mensais que os correios lhes vão pagar. Sabem o que isso significa?

    Quarta-feira, Setembro 03, 2003
     
    Os custos do 'não-Algarve' na informação. O Centro Emissor da RDP/Sul tem novo director, Feliciano Esteves. Não é algarvio o que, não sendo um mal em si, tem vindo a revelar-se como regra para os meios de comunicação social alegadamente descentralizados. Assim tem sido na Lusa e na RTP por onde tem passado gente muito simpática e cordata mas a quem não se pode exigir que sinta profundamente os problemas do Algarve. Isto tem resultado numa informação constantemente cinzenta e em que o distanciamento muitas vezes não tem significado pose profissional mas pouco mais que desligamento. O mesmo que «evitar levantar ondas». Os poderes «regionais», os maiores e os menores, têm obviamente beneficiado desta situação, explorando-a e tolerando por vezes circunstâncias que não se adequam a razoáveis perfis profissionais. É assim que não interessa aos mesmo poderes questionar os custos do «não-Algarve» nos meios de comunicação social da Região.A RDP Sul e a RTP Faro, cuja fusão foi anunciada, não são porta-vozes permanentes e seguros dos interesses da Região, a Agência Lusa tem debitado palavras sempre na dependência dos critérios centralistas de Lisboa e não se pode exigir mais aos profissionais que, umas vezes por prémio e outras por castigo (qual das circunstâncias a melhor?) são destacados, nomeados ou colocados «no reino de Marrocos», pois é assim que em Lisboa se referem ao Algarve.